Nos últimos cinco anos, o ecossistema de startups em Portugal tem registado transformações significativas, marcadas por oscilações no investimento, uma crescente maturidade regulatória e a consolidação de hubs de inovação tecnológica. Esta evolução reflete não apenas as dinâmicas económicas globais, mas também a capacidade do país em criar condições atrativas para a inovação e o empreendedorismo.
Financiamento: de um pico histórico à resiliência e recuperação
Em 2021, Portugal atingiu um marco histórico com €1,5 mil milhões em investimento em startups, impulsionado por rondas de financiamento em fases avançadas e um otimismo pós-pandemia. Contudo, esta subida revelou-se temporária. Em 2023, o montante investido caiu drasticamente para €205 milhões, refletindo o impacto das incertezas económicas e das políticas monetárias mais restritivas.
Apesar da quebra nos investimentos de grande escala (mega-rounds e Séries C), o financiamento em fases iniciais — seed e Série A — demonstrou resiliência. Investidores, embora mais cautelosos perante scale-ups em tempos de instabilidade, continuaram a apostar em startups promissoras em fase inicial.
O ano de 2024 marca um ponto de viragem, com sinais claros de recuperação: o financiamento totalizou €463 milhões, impulsionado por uma retoma da atividade nas Séries A e B, destacando-se a ronda de €100 milhões da Powerdot como um sinal de confiança renovada no mercado português.
Portugal como hub europeu de inovação
A localização estratégica — com fusos horários alinhados ao Reino Unido e proximidade com os Estados Unidos — combinada com uma elevada qualidade de vida e baixos custos operacionais, torna Portugal um destino atrativo para fundadores internacionais. O crescimento do ecossistema é visível: a Unicorn Factory Lisboa acolhe mais de 300 startups, sendo que cerca de metade tem fundadores estrangeiros.
Paralelamente, as universidades técnicas, os programas de aceleração especializados e eventos de relevo como o Web Summit contribuem para uma maior visibilidade internacional, impulsionando a captação de talento e investimento.
Oportunidades em tecnologias emergentes
As zonas de inovação dedicadas — com enfoque em áreas como inteligência artificial, Web3 e deep tech — reforçam a especialização de Portugal em tecnologias emergentes. Estas zonas atraem não só talento altamente qualificado como também investidores interessados em setores de elevado potencial.
Com oito unicórnios já registados, Portugal destaca-se como uma das economias europeias mais promissoras no domínio da inovação tecnológica.
Health Tech: um setor em crescimento e com forte vocação colaborativa
Embora mais pequeno face ao setor das TIC, o setor da saúde digital é um pilar cada vez mais relevante no ecossistema. Em 2024, as startups de health tech representam 8,45% do universo nacional de 4.719 startups, com especial destaque para soluções em telemedicina, diagnóstico assistido por IA e terapêuticas digitais.
O investimento no setor é ainda modesto quando comparado com o das tecnologias de informação, que geram 63% da receita total das startups em Portugal (€2,6 mil milhões). Ainda assim, a dinâmica de crescimento é clara. Em 2024, 17% dos negócios e 37% do capital de risco foram direcionados a startups de IA, muitas das quais com aplicações na área da saúde.
Exemplos como a Sword Health, que angariou €29,2 milhões, ou fundos especializados como a Biovance Capital (€51 milhões em biotecnologia e farma), revelam um aumento de confiança dos investidores no setor. Por outro lado, entidades como a Portugal Ventures, com 25 investimentos em saúde, continuam a desempenhar um papel fundamental no apoio a fases iniciais.
Incubadoras como motores da inovação em saúde
O sucesso das startups de saúde depende fortemente da colaboração entre tecnologia, ciência e sistemas de saúde. Plataformas como a HealthTech Lisboa ou a iniciativa nacional DigiHealthPT fomentam esse ambiente. É neste contexto que surge a HealthTech Innovation Incubator da W4M, criada para apoiar startups nas áreas de tecnologias de saúde, sustentabilidade e impacto social. A incubadora oferece um programa de aceleração estruturado, com acesso a redes clínicas, mentoria especializada, financiamento e condições privilegiadas para o desenvolvimento e testagem de soluções em ambiente real.
Apesar dos desafios associados à instabilidade macroeconómica e à escassez de capital de risco, Portugal continua a afirmar-se como um destino de excelência para o desenvolvimento de startups tecnológicas. O setor da saúde digital, em particular, beneficia de um ecossistema colaborativo, talento altamente qualificado e políticas públicas favoráveis à inovação.
Com o apoio de incubadoras especializadas como a HealthTech Innovation Incubator da W4M, Portugal está bem posicionado para liderar a próxima geração de inovação em saúde a nível europeu.
