Portugal consolida ecossistema de startups em 2025

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O mais recente Startup & Entrepreneurial Ecosystem Report 2025, publicado pela Startup Portugal em parceria com a consultora Informa D&B, revela que o ecossistema português de startups atingiu um marco significativo em 2025, com resultados que sinalizam uma fase de consolidação e maturidade para o setor.

Os dados do relatório indicam que existem 5.091 startups ativas em Portugal em 2025, um crescimento de 8% face ao ano anterior, superando a meta de 5.000 startups definida pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Estas empresas representam cerca de 1% do total de empresas ativas no país e consolidam a posição do ecossistema como segmento próprio da economia nacional.

Em termos de impacto económico, o conjunto de startups registou um volume de negócios agregado de €2.856 milhões em 2025, o que corresponde a um aumento de 9% em relação a 2024. O setor emprega aproximadamente 28.000 pessoas, também com um crescimento de 8% no último ano, e paga um salário médio mensal de €2.200 — valor que supera em 81% a média nacional.

O relatório destaca ainda a vocação exportadora das startups portuguesas. Em 2025, as exportações das empresas analisadas totalizaram €1.571 milhões, um crescimento de 5%, representando cerca de 1,5% das exportações nacionais. Mais de metade das startups (55%) desenvolvem atividade internacional relevante, com tecnologias e serviços intensivos em conhecimento responsáveis por mais de 80% desse total.

O perfil do ecossistema português continua a ser dominado por microempresas tecnológicas, com 89% das startups a empregarem até nove pessoas e com forte concentração nas áreas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que respondem por 63% do volume de negócios. Geograficamente, Lisboa e Porto permanecem como os principais polos, representando 45% e 16% das startups, respetivamente, enquanto Braga, Setúbal e Aveiro mostram crescimento acima dos 5% ano a ano, indicando uma expansão gradual do dinamismo empreendedor para além das metrópoles tradicionais.

No que diz respeito à estrutura de capital e governação, 89% das startups têm capital nacional, com uma presença menor de investimento estrangeiro (11%). Apesar de alguns avanços, a liderança continua a ser predominantemente masculina, com cerca de 80% dos cargos de direção ocupados por homens, sem alterações significativas em relação a 2024.

Os indicadores financeiros sugerem solidez e baixo risco de insolvência para a maioria das startups: 74% apresentam risco “mínimo” ou “reduzido”, e mais de metade demonstram “média-alta” ou “alta” resiliência financeira, alinhando-se com padrões de empresas tecnológicas. Cerca de 21% podem ser classificadas como empresas de alto crescimento — com crescimento anual de emprego superior a 20% ao longo de três anos.

O relatório conclui que, embora o ecossistema tenha alcançado importantes metas quantitativas, o próximo desafio reside na transformação desse crescimento em impacto sustentável e escalável. Entre áreas apontadas para reforço estão facilitação de financiamento, atração de talento especializado e cooperação com grandes empresas e universidades.

Este estudo, divulgado no contexto da Web Summit 2025 em Lisboa, confirma que o setor de startups em Portugal continua a desempenhar um papel crescente na economia nacional, tanto em termos de inovação e emprego qualificado como em capacidade exportadora.

Fontes:

https://startupportugal.com/pt/startup-entrepreneurial-ecosystem-report-2025-2

https://startupportugal.com/startup-entrepreneurial-ecosystem-reports

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